Sonia Melchiori Galvão Gatto – PUCSP/ UMESP
A articulação espacial
Remeter-nos à Literatura em meios eletrônico-digitais, o hipertexto, ou às relações entre revolução tecnológica e leitura é uma questão política na medida que estes diálogos revelam sistemas de interação em interface, sejam eles os culturais, artísticos, tecnológicos ou filosóficos. Esse dialogismo desagrega o pensamento de que o computador poderá suplantar o livro; ao contrário comporta a idéia de que devemos repensar o espaço/meio em que a leitura é oferecida, a posição da autoria em face das redes de interconectividade que invadem o espaço privado, a posição do leitor diante da revolução tecnológica e a própria noção de escritura e o estado da Literatura.
Neste artigo, partiremos da relação entre espaço virtual e impresso, a fim de observarmos as conecções estruturais entre eles no que se refere à escritura.
Não há como pensarmos o espaço de leitura, seja ele o impresso ou o virtual, sem considerarmos texto e hipertexto como sistemas semióticos. Enquanto tal, constituem-se como experiência comunicacional de signos diversos: dos visuais aos sonoros e verbais. Reafirmam-se como sistemas autônomos, mas que se conectam em rede, rizomaticamente.
Tanto o ciberespaço quanto o espaço de obras limites são universos concebidos em planos/folhas com multiplicidade de dimensões, que se conectam por um elemento comum a eles – os links, uma cena, uma personagem.
O espaço que busca o hipertexto é o do inacabado, da obra aberta, tal qual Eco e Haroldo de Campos propuseram. O que se observa é a tentativa de quebra com o hierárquico, tendo em vista não mais a ascensão do mais simples ao mais complexo, que pressupõe uma ordem positivista em que o todo (o complexo) é composto por uma seqüência de partículas simples, mas a ruptura com a noção de tempo e de espaço recluso, tendo em vista as múltiplas facetas que o hipertexto oferece através das janelas e links. O ato comunicativo no ciberespaço existe, portanto, sem limites fronteiriços, negando o espaço binário e antagônico diante de sua proposição de correlações polissistêmicas.
O hipertexto propõe-se, enfim, como um manancial de códigos em correlação como um organismo vivo, com pluralidade de esferas semiósicas particulares.
A questão seria compreender como o espaço impresso e o virtual dialogam. Não seria errôneo afirmar que este dialogismo bakhtiniano cristaliza-se a partir da interação derridiana que trazem. Certamente Derrida, em seu Gramatologia, preconizara a revolução tecnológica: a desconstrução da linguagem. O espaço hipertextual é o espaço da desconstrução, do pensamento complexo, das instabilidades e não-linearidades. Rompe com o bidimensional do pensamento clássico e opera ideogramaticamente, como uma configuração cubista em que os planos coincidem, colocando em xeque o aristotelismo das articulações fechadas, conclusivas e apontando para fases de expansão e contração, cosmo desordenado, infinito e aberto: universo da escritura.
O engenho poético-metalingüístico
Muito embora diferenciem-se no controle sobre a matéria, na relação tátil-visual com o livro em oposição a uma realidade virtual que se apresenta e aponta para a interação com o leitor, na transferência, enfim, de um espaço impresso para o virtual/digital, o mecanismo de construção do texto hipermidiático e do texto impresso podem coincidir. O nó górdio que ata esses dois espaços/meios aparentemente distanciados e antagônicos pela carga temporal que carregam – um remetendo ao passado; outro, vaticinando o futuro – é o modus operandi da linguagem e estrutura textuais.
O problema da linguagem sempre esteve implícita ou explicitamente ligado à condição filosófica da escritura. Benjamin já anunciava a crise do livro que hoje é apontada em decorrência do advento dos mass-media; Mallarmé rompe a sintaxe, na construção de Un coup de dés, já pressentindo o pensamento labiríntico e a desconstrução da lógica ordenatória; os dadaístas assumem a postura da destruição total da linguagem, decorrência das cinzas do pós-guerra. Alinhavamos, portanto, um contexto em que a linearidade é adelgaçada como conseqüência do pensamento do homem fragmentado, num discurso ora truncado ora coordenado. Nesse sentido, a escritura há de questionar o seu próprio princípio gerador, ou a posição de crise em que a linguagem se encontra diante de uma tendência de rechaçar a sua condição “histórico-metafísica”.
Ora, a linguagem não pode ser tomada fora de uma corporeidade, o que respalda seu dinamismo e estatuto de criação. Fora disso, o que se cria não é linguagem, mas substância, referente. O surgimento do hipertexto vem, justamente, desestruturar um pensamento já cristalizado em relação à Literatura/ leitura/ linguagem. Certamente a Literatura tem que ser repensada diante dessa civilização tecnológica. A Era Eletrônico-Digital, em mudanças labirínticas, não mais absorve o pensamento estético clássico que considera “o objeto artístico subspecie aeternitatis” (CAMPOS 1977a), mas incorpora o relativo e o transitório, o campo das incertezas. A Literatura, enquanto interlocutora com a cultura, tem que participar de sua dinâmica. Fora disso, a Literatura não faz sentido. Assim, deparamo-nos com um novo suporte para o texto, um novo leitor e a necessidade de uma nova linguagem. Contudo, perdura como memória ancestral, sua estrutura complexa.
A estrutura do hipertexto assemelha-se às obras-limites que testam o poder da linguagem, elevando-a à capacidade máxima de experimentação, não obedecendo a uma hierarquia evolutiva ou ao princípio da linearidade, que retoma um Mallarmé e seu Un Coup de Dés, ou um Ulisses, de James Joyce, ou ainda “circum-veredas roseanas”. Contrária, portanto, à visão substancialista, extrínseca à obra literária, pregada por escolhas que revelam um Lamartine ou, no Brasil, um Érico Veríssimo de Olhai os Lírios do Campo, surge a tendência em se considerar a obra que dissolve o substancial, e aponta uma estrutura complexa, repleta de torneios lingüísticos, jogos vocabulares, sintaxe estrutural retorcida ou, ao contrário, o texto enxuto, geometrizado, além de contar com a exploração do espaço da página.
O fato de fixarmos o centro tal como faziam Galileu, Copérnico, ou mesmo “relacioná-la” – a escritura, sua estrutura e linguagem – “a um ponto de presença, a uma origem fixa” (DERRIDA 1995:230), a um plot linear, não só conota o estado de organização e equilíbrio impostos por um modelo ideologicamente fechado, mas também apontam para um caráter ditatorial e rigoroso que revelam a intenção de castração do jogo escritural. O conceito de linguagem/ estrutura que o ocidente abarca centraliza-se, portanto, na substância fônica, presente em uma seqüencialidade pregada no discurso subordinado, nascido de um ponto central: o logos[1].
A metafísica ocidental, vinculada ao logocentrismo e a uma linguagem fonética, opõe-se à escritura que não se limita ao sonoro, mas que traz traços “pansemióticos” – termo cunhado por Jakobson e utilizado por Haroldo de Campos -, ou seja, a intervenção de outros mecanismos de linguagem que não seja o fonológico, tal como a pintura. Ora, parece-nos que o momento não-fonético, descentralizador e desconstrutor de hierarquias ocidentalizadas, surge no momento oriental, em que a ideografia ameaça uma concepção histórica linearista e invalida o logocentrismo diante da quebra com o substancialismo presente no nome. Rompe-se, portanto, com o que é nominativo, denominatório e seqüencial, privilegiando não o espírito/ ser enquanto presença, mas as relações que se efetivam[2].
A metodologia ideogramática, idealizada por Fenollosa, tal como se apresenta no ensaio "The chinese written character as a medium for poetry", não permite associações lógicas, mas correlativas e, assim como para Pound, a natureza existia enquanto modelo dinâmico: "Mais do que as coisas, importavam as 'relações' entre as coisas", dizia Fenollosa [3].
O interesse em relação a essas línguas, reside exatamente na estrutura como elas operam: justaposição de imagens correlativas, como em um quadro cubista; estilo cinemático, reconhecido por Eisenstein; princípio da fragmentação. E é, justamente a partir desse critério metodológico que visa à linguagem não-fonológica e à deslogocentrização, que pensamos as obras literárias limites e o hipertexto.
O que subverte a pretensa idéia da condição da existência do ser da linguagem ou historicidades – clausuras da linguagem – é a escritura em seu jogo. Na realidade, como lembra Derrida, em seu Gramatologia (1973:8),
O advento da escritura é o advento do jogo; o jogo entrega-se hoje a si mesmo, apagando o limite a partir do qual se acreditou poder regular a circulação dos signos, arrastando consigo todos os significados tranqüilizantes, reduzindo todas as praças-fortes, todos os abrigos do fora-de-jogo que vigiavam o campo da linguagem.
Este jogo descentraliza o modelo organizado residente na phoné , promovendo a negação de uma origem fixa, presente em um sistema evolutivo; o privilégio da linguagem que não traz uma associação subordinativa, mas uma coordenação de correlações; a idéia de descontinuidade e não-linearidade, decorrentes de uma auto-reflexividade sobre o texto. Assim,
a racionalidade (...), que comanda a escritura assim ampliada e radicalizada, não é mais nascida de um logos e inaugura a destruição, não a demolição, mas a de-sedimentação, a desconstrução de todas as significações que brotam da significação de logos. Em especial a significação de verdade. (DERRIDA 1973:13)
É com esse pressuposto que revemos o texto impresso e o digital. Ambos abarcam uma função constelizadora decorrente de uma
auto-reflexividade do texto e a autotematização inter-e-intratextual do código (meta-sonetos que desarmam e desnudam a estrutura do soneto, por exemplo; citação, paráfrase e tradução como dispositivos plagiotrópicos de dialogismo literário e desfrute retórico de estilemas codificados” (CAMPOS 1989:33).
E é justamente nesse ponto, que a escritura torna-se autofágica e anuncia uma hibridização de gêneros – poesia, prosa, ensaística – a fim de se atingir o grau máximo do jogo estético em que metalinguagem e poética entrecuzam-se a fim de formar, em “metapoiesis”, a matriz aberta, ou como Eco privilegiou, a Obra aberta.
Ora, o próprio mass-media, relembrando Marshall McLuhan, remete à fragmentação- linguagem descontínua própria do prosaico, apresentando giros sintáticos – e simultaneidade da linguagem – hibridização de formas e imagens, reconstruídas em mosaico –, desembocando em uma rarefação do discurso e resultando em espaços em branco na página – tal qual Mallarmé –; recursos tipográficos oriundos do futurismo; sintaxe não-linear, “interrupta”; imagens ideogramático-cubistas pluridimencionais; articulação de informações culturais que atualizam as lendas primitivas, como em Guesa, de Sousândrade; materialidade da linguagem como em um Huidobro.
Pensemos a complexidade lingüístico-estrutural na Literatura, a partir da leitura de dos fragmentos de Galáxias, de Haroldo de Campos:
e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e recomeço e arremesso
e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem o que importa
não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo escrever
mil páginas escrever milumapáginas para acabar com a escritura para
começar com a escritura para acabarcomeçar com a escritura por isso
recomeço por isso arremeço por isso teço escrever sobre escrever é
o futuro do escrever sobrescrevo sobrescravo em milumanoites miluma-
páginas ou uma página em uma noite que é o mesmo noites e páginas
mesmam ensimesmam onde o fim é o comêço onde escrever sobre o escrever
é não escrever sobre não escrever e por isso começo descomeço pelo...
O estranhamento causado pelas múltiplas incursões redundantes aponta para uma crise das relações de verdade estabelecidas entre a obra e o leitor, e poeta e realidade, afinal, a obra de estrutura aberta, como se apresenta esse fragmento, aponta para o questionamento do fazer poético, tornando-se um meta-texto. Observamos, ao menos, quatro camadas sobrepostas: a) o discurso sobre o discurso; b) a escritura como viagem; c) deslocamento do significante; d) adensamento e rarefação do significado.
O duplo centro escritural (o duplo discurso ou meta-discurso), ressoa no tecido textual, provocando recamadas de desdobramentos de significantes proliferantes, e acarretando a descentralização do sentido que se perde na acumulação fragmentária de termos.
O texto estrutura-se em camadas que adotam certo grau de complexidade conforme se desenvolvem: o “discurso descreve seu curso oblíquo”; o discurso descentrado reduplica-se numa instância outra que nos faz lembrar o espelhamento sígnico em Eco. Assim, a escritura, pelas recamadas discursivas e sucessivas que proliferam a partir de uma escritura primeira, perdem a completude e, residualmente, alcançam um caráter entrópico “por ser a transposição fragmentária de um discurso já por natureza interrompido e estilhaçado”. A operação processa-se na instância interna em que um dialogismo bakhtiniano ocorre, promovendo uma intratextualidade.” O discurso primeiro é a “fala oracular”, que remete a um processo mítico e cifrado, adivinhatório e premonitório, mas que se imbrica ao outro. Diante da interferência de um segundo discurso que ecoa o primeiro, este não pode reconstituir aquele na integridade, acarretando uma fragmentação do discurso que já é interrompido e estilhaçado. Há um processo de entropia discursiva que, de um grau baixo de hermetismo chega à crifração total pelo estilhaçamento. O discurso sobre o discurso, a Dobra no sentido deleuzeano, até o máximo de obscuridade. O discurso promove um curso alinear, enviesado, torto, sinuoso, assimétrico em primeira instância, para seguir o caminho da proliferação e do adensamento semântico.
O processo espiralado é cumulativo de justaposição entre a série interna e externa da obra, partindo-se da análise da série interna – composição de timbres e de sintagmas – para, então, promover relações de justaposição de termos e idéias e, finalmente, relações destas com as séries externas (valores culturais e intertextuais). Esse processo cumulativo acarreta uma saturação do código, provocando sua obscuridade. Não se trata, nessa instância, de metáforas sobre metáforas de forma labiríntica, mas de um inchaço no mecanismo de justaposição de saberes, num processo espiralado.
Além da observação desse processo no poeta Li Shang-Yin, essas “recamadas volutas” encontram-se também em um Carpentier. A própria etimologia da palavra denuncia: a “camada” é porção de matéria homogênea e a “recamada” seriam porções sobrepostas ad infinitum; “volutas” significa, grosso modo, um ornato espiralado. Propõe-se, portanto, a escritura em relevo (adornada) espiralada, figura que rompe com cartesianismos e o universo circular.
O que mais se aproxima da questão é justamente a competência do “designer da palavra” – o autor – em subverter a ordem normativa do Logos, por meio da meta-desconstrução.
Em Galáxias, a metalinguagem surge como forma articuladora da linguagem dinâmica, daí a necessidade de uma mobilidade sígnica responsável pelo estabelecimento de relações. O experimentalismo metalingüístico é tão ousado que se apropria de outros expedientes a fim de se atingir um efeito, muitas vezes, logopaico: a) incidência do “Eco” e obscurecimento do significante inicial; b) imagem conflitante e irregular, descontínua, fracionada, estilhaçada,esponjosa, tal qual os fractais; c) bifurcações (trilhas ramificadas); d)repetição diferencial; e) deformação do círculo; f) substituição; g) acumulação; h) expansão; i) mobilidade e turbulência; j) instabilidade; k) desvios.
A instabilidade gerada pela aparência de retorno, os desvios sonoros e semânticos, a turbulência na proliferação de significantes é o que gerará a bifurcação, conferindo ao poema um caráter caótico.
Assim, o poema, enquanto paradigma barroco na obra de Haroldo de Campos, arrebenta por sua força visceral e expande-se na página, esponjosamente, sem amarras, sem limites, absorvendo o leitor em cópula com a escritura.
A obra constelar e o hipertexto galáctico
Não somente os textos palimpsestos como Galáxias, de Haroldo de Campos, mas a escritura hipertextual configura-se como um meta-texto de combinatória aberta, em que a complexidade ocorre no plano estrutural e das formas que se entreespelham. O espelhamento é “ad infinitum”, proporcionando uma escritura porosa, com aberturas múltiplas. A estrutura pluridimencionalizada, semelhante ao poema-constelação mallarmeano, nega a noção de desenvolvimento linear determinista, proporcionando uma rotação sígnica que lembra um Cummings ou um Cortázar, de Rayuela no texto impresso ou obras como The Late-Nite Maneuvers of the Ultramundane, de Tom McHargs ou Quibbling, de Carolyn Guyer, em hipertexto. Observemos Afternoon, de Michael Joyce (1987)[4], uma obra ficcional elaborada em ciberespaço, de matriz aberta que prevê a interação texto-leitor. Configurada como um jogo ou game, “Afternoon” possui uma estrutura relativamente simples, com estrutura binária: apresenta-se o fato com duas opções para o leitor que escolherá seu caminho.
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Para Yes, abre-se:
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Para No, abre-se:
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Escritura vertiginosa com tendência à “deformação” da ordem, por meio do deslocamento do centro do sistema estético escritural, apresenta uma estrutura cujas entradas e saídas entrecruzam-se, livremente. Essa mobilidade de signos na página, os desvios e superabundâncias de links, janelas, travestimentos lingüísticos é o que provoca o descentramento. A perspectiva ordenada proposta por uma historicidade substancialista, baseada em um Universo clássico, é substituida pela ordem caótica e vertiginosa, em que o princípio da desordem interna do sistema escritural provoca um aumento da entropia comunicativa.
Assim, obras impressas com certo grau de complexidade ou hipertextuais correspondem a um cosmo de signos turbulentos, inseridos em um dinamismo espácio-temporal, acarretando hiatos irregulares e possibilidades descontínuas. Assim, como no universo de um Haroldo-Galáxias, obras em hipertexto são do reino da incerteza, da provisoriedade, configuradas pela inserção de uma linguagem impactante em suas variações, dentro de um funcionamento poético, seus elementos cambiantes correlacionem-se, no máximo grau, gerando entropia. Um manifesto intrasistêmico.
As palavras estão suspensas na partitura escritural, portanto, são sensíveis a mudanças. São signos instáveis que permanecem à espera da manipulação do designer da palavra (o autor) para decidir as possibilidades de seu rumo bifurcado com o leitor. Assim, expandem-se ou acumulam-se, ecoam ou desviam-se em anacolutias e anamorfose, e recriam-se, constantemente, como resíduos metonímicos em cópula sígnica.
Aqui contemplamos, ligeiramente, o diálogo entre dois sistemas que envolvem a escritura. Ora, iniciamos nosso discurso apontando os possíveis questionamentos sobre leitura, autoria, leitor e ensino da Literatura na Era eletrônico-digital, mas deixaremos apenas semeados esses caminhos e diálogos com o leitor, afinal ... isso é outra história!
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[1] Não nos esqueçamos de que Derrida, logo em “Epígrafe”, já apontaria o conceito de logocentrismo: “metafísica da escritura fonética (por exemplo, do alfabeto) que em seu fundo não foi mais – por razões enigmáticas mas essenciais e inacessíveis a um simples relativismo histórico – do que o etnocentrismo mais original e mais poderoso, que hoje está em vias de se impor ao planeta (...)”. Cf. J. Derrida, Gramatologia, p. 3-4.
[2] Sobre a escritura não-fonética, Derrida escreve em seu Gramatologia (1973:32) que“Se o momento não-fonético ameaça a história e a vida do espírito como presença a si no sopro, é porque ameaça a substancialidade, este outro nome metafísico da presença, da ousia. Inicialmente sob a forma de substantivo. A escritura não-fonética quebra o nome. Ela descreve relações e não denominações”.
[3]Fenollosa e os ideogramas merecem um estudo minucioso de Haroldo de Campos, em seu Ideograma: lógica, poesia, linguagem.
[4] Exemplo retirado deJay David Bolter. Writing Space. The computer, hypertext, and the History of writing. p. 123 -127.